10 de novembro de 2009

MÁRIO SOARES E O DESASTRE DA JUSTIÇA: UMA VERDADEIRA VERGONHA NACIONAL


«O mundo deu muitas voltas nos últimos trinta e seis anos e Portugal, felizmente, superou todas as crises por que passou, até agora: a descolonização, a democratização, o regresso dos nossos colonos e o desenvolvimento, com a entrada na CEE e a criação da CPLP. Os pessimistas encartados esquecem, frequentemente, esta realidade - que tanto nos devia orgulhar -, centrados, como estão, na preocupação dominante (que se entende, mas é ultrapassável, como sempre foi) do aumento da dívida pública e do deficit...»(1)
«Quanto às outras dificuldades, que temos, devidas à crise global, ainda mais urgentes: o desemprego, a pobreza, as gritantes desigualdades sociais, a estagnação das pequenas e médias empresas, o desastre da justiça, que tanto alimenta a desconfiança e o pessimismo nacional, essas sim, cumpre-nos resolvê-las quanto antes» (2).
«Portugal tem hoje excelentes elites universitárias, científicas, culturais, técnicas e artísticas que, raramente, surgem nos meios de comunicação social, aos quais só interessa a politiquice rasteira, as intrigas, as desgraças e os pequenos e grandes escândalos que escapam, não se sabe como, ao "segredo de justiça" - donde resultam verdadeiros linchamentos de pessoas na praça pública -, e depois desaparecem, sem que se saiba porquê e nada aconteça. Isso, sim, é uma verdadeira vergonha nacional - que afecta gravemente a moral e a credibilidade públicas e a economia nacional - a que é urgente pôr cobro. E cumpre ao Governo fazê-lo, se possível entendendo-se com as oposições. Para tanto, talvez seja o momento de voltar ao plano anticorrupção apresentado por João Cravinho.» (3)
MÁRIO SOARES, DN 10-11-2009 (excerto)
NOTAS DA BLAGOSFERA:
(1) Mensagem de MS para Henrique Medina Carreira, respondendo à sua recente entrevista no "i" chamando-lhe aqui um "pessimista encartado". Parece MS estar a disponibilizar-se para o tal debate televisivo que, desejamos todos, tenha mais de uma hora...
Uma 1ª nota de urgência.
Gostávamos todos de saber qual é a receita de MS para resolver o aumento da dívida pública e do déficit.
Mas ficamos a saber que MS considera hoje que a democratização do país está feita... embora seja difícil de compaginar tal ideia com a Falência de Portugal e com a existência de uma sistema de Justiça gritantemente ineficaz, manipulado politicamente e evidentemente potenciador do Crime Económico e Financeiro. Que ninguém dos instalados politicamente quer estancar, independentemente do partido a que pertencem.  É por isso que a 'situação' é explosiva e totalmente imprevisível.

(2) Identificação dos problemas estruturais, ligando-os exclusivamente, e mal, à crise global.
Subscrição da tese "bota-abaixista" quanto ao sistema de Justiça.
Faz duas críticas implícitas: uma, à manipulação da comunicação social e, outra, ao modo de governação eleitoralista via marketing comunicacional agenciado (1ª mensagem directa a J. Sócrates).
Segundas notas de urgência ("ainda mais urgentes", "quanto antes").

(3) O "desastre da justiça"...  (que não tem nada a ver com a crise global, como MS muito bem sabe).
Mensagem clara para o PS e 2ª mensagem directa a J. Sócrates: quanto à Corrupção, retomar o Plano Cravinho ("talvez"...). O que implicaria chamá-lo do "exílio dourado" para onde J. Sócrates o enviou. Lirismo...
Por outro lado, quanto às elites, também contém outra questão, que MS não ignora: o velho problema da 'selecção negativa' feita pelo PS (e, regra geral, por todos os partidos). Parece saber que,  dos que ainda estão em Portugal, dos elementos das 'excelentes elites',  poucos são os que estão fora da manjedora estatal não-política, laborando nesse horizonte impossível da tripla pensão (académico-profissional, institucional/público-privada, política).

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